quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Brasilíngua Por (Tu) Guesa(1979)

Por (Tu) Guesa

Laço em laço: enlace-me:
Pindoramafra: luzilázia…
A língua de Juca Pyrama:
Zumbi(u) Camoniânima
Luxafra - brasilíndia tupiguarânia
Morenua Rósea Sertântrica…

Floresce(u) Latim por tintim:
Romamor Romãe: proema
D África: Axé-Nagogô
Brasilis-flor naturativa
Antropofálica Mistura:
Frevo-fervor: Línguímã: Nheengatu…

Por tu Guesa:faço-me errantente
Trovejo-me silen cio nuniversom
Relambeijo a Língua-gen
Dos Grãs Sertons:
Lusíadas…Veredas…

BrasiLíngua! Por(tu)Guesa:
Lusídica rosa personalizada…
Experimentalizo la langue
Nas ancas filo-lógicas do verso…

Contra.passo-lhe numbigo:
Bahianauta barrococó Gregórion
Riobaldorim Casmurro Borba
Policarpideiro Caminha Drummond
Matias, Aires, Bernardim, Vieira…

Machado! Motor-serra textual
Álvaro Ricardo Alberto
Pessoa metalingual:
Santa Cecília cancioneira…
Murilo, Jorges, Sousândrade
Andrades, Campos, Bandeiras…


Serafim Ponte
Grande Mira o Mar
Bossa Nova: Tropicália…
Cobra Cabral Macunaíma…
Lima Barretom Jobim…
Rosa de Hiroshima.
Rosa das Minas:
Guímã-Rosa do Povo:
Embaixador do Ser-Tao…

Gustavo Dourado. Poeta e cordelista. Letras (UnB).

Pós-graduação em artes, literatura, teatro, gestão e linguagens artísticas.

Autor de doze livros. Premiado na Áustria. Selecionado pela Unesco.

Tema de teses de mestrado e doutorado. www.gustavodourado.com.br

http://cordel.zip.net
http://www.ebooks.avbl.com.br/biblioteca1/gustavodourado.htm
E-mail: gustavodourado@yahoo.com.br

sábado, 22 de agosto de 2009

A gota d’água

Como seguir nesse mato fechado
Desse universo assim misterioso
E que transtorna a cada fila única
E que machuca a cada aprendizado

Esse momento que é tão generoso
Meu pai diria que é tão proveitoso
Sou eu que vejo as coisas muito tortas
Naquela rua que estão todas mortas

Estou aqui na raiz do meu berço
Outra realidade que conheço
Quase parando para um recomeço
Talvez não tenha, talvez no momento

Somos os filhos dessa gota d’água
Que transformou-se assim numa lagoa
Se a vaidade bebe desta água
E te convida pra ser um à toa

Como é que faço pra sangrar meu pulso
Por essa gente que não se balança
Como é que chora por uma mudança
Se entrelaçada vive bem em silêncio

Mais um segundo nesta área vesga
Sinto um profundo nojo de cinismo
Numa das caras dessa nova chapa
Que emplaca agora toda essa tristeza

Não ando noutra margem desse espaço
Que todo dia espero que amanheça
Vou esperando assim o meu salário
Se eu reclamar, talvez já me esqueçam

Esse mundinho cada vez mais pobre
Não fala nada é tão acomodado
E se pobre saber de outra coisa
Esse é o pobre que come calado

Esta é mais uma obra de João Herbert.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Já passou

Acorda, meu bem

Sabia que já deu

O fim já passou e a nossa vida se esclareceu

Diante da eternidade

Sem um mais ou menos dos momentos cordiais.

Lembra da nossa perspicácia,

Como muda, não

Nem notei

Já passou...

Muito bem

Agora estamos à mercê da estupidez

Compreender quantos quais e porques de tantos

É mortificar o nosso cinismo

Tanta euforia

Em vez de reverter às legítimas correntes conflitantes

Mudar algo é muito pouco

Faça-o sem cortejos quaisquer.

Se quiser me acordar sem efeito

Leve-me sua fragilidade

O que me consta que você não vai adotar,

Então me deixa solta

Que na hora de rir eu improviso como sei.


João Herbert

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Arlindo dos Oito Baixos

Um instrumentista de primeira


É um dos grandes sanfoneiros nordestinos, natural de Tabira,

Com muita estrada percorrida já há mais de 40 anos.

Mesmo com mais de 60 anos e sofrendo grave problema de deficiência visual, ainda continua sendo danado de bom na arte que faz, levando seu forró pé-de-serra e sua habilidade como instrumentista para o público amante desse gênero musical sertanejo nordestino. Isso, sem falar em suas outras atividades paralelas de consertador e afinador de sanfona o que não o impede de estar sempre presente nos circuitos do forró sertanejo, gravando novos CDs, e sair por aí cantando velhos sucessos de companheiros como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro além de ir divulgando nos shows novas músicas do seu vasto repertório.

Ao longo de sua carreira tem nove discos gravados e no ano de 2004 lançou o décimo, intitulado Dançando na Chuva.


Feliz São João! Aproveite bem essa grandiosa festa do nosso Nordeste.

Patativa do Assaré - Ave Poesia






O diretor Rosemberg Cariry apresenta a vida e obra do poeta Patativa do Assaré.

seta3.gif (99 bytes) Ficha Técnica
Título Original: Patativa do Assaré - Ave Poesia
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 84 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2009
Estúdio: Cariri Filmes / Iluminura Filmes
Distribuição:
Direção: Rosemberg Cariry
Roteiro: Rosemberg Cariry
Produção: Petrus Cariry e Teta Maia
Música: Patativa do Assaré, Fagner, Fausto Nilo, Mário Mesquita, Ricardo Bezerra, Pingo de Fortaleza e irmãos Aniceto
Fotografia: Jackson Bantim, Ronaldo Nunes, Beto Bola, Kin, Rivelino Mourão, Luiz Carlos Salatiel e Fernando Garcia
Edição: Rosemberg Cariry


seta3.gif (99 bytes) Sinopse
Relato da vida e obra do admirável poeta Patativa do Assaré que se vivo completaria este ano (2009), 100 anos. O filme revela o sentido exato da sua poesia, seu posicionamento político, sua maneira de agir no cotidiano vivenciado sem ostentação, apesar de ser admirado pelo povo e as mais altas representações da intelectualidade nacional e internacional em decorrência da sua imensa contribuição à cultura brasileira.


seta3.gif (99 bytes) Pôsters
- Clique nos cartazes para vê-los ampliados em uma nova janela.
















seta3.gif (99 bytes) Imagens
- Clique nas imagens para vê-las ampliadas em uma nova janela.
















seta3.gif (99 bytes) Premiações
- Ganhou o prêmio de Melhor Filme, no Cine Ceará.



seta3.gif (99 bytes) Curiosidades
- Em 2001 Patativa do Assaré foi eleito como um dos mais importantes cearenses do século XX.

- Foram coletadas mais de 100 horas de material em estado bruto, ao longo de 27 anos. Este material foi obtido pelo diretor Rosemberg Cariry.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sinais de um vazio

Este poema eu fiz para uma amiga na época que sua mãe veio falecer.
Fiquei comovido com a tão desgastante e sofrida forma que foi aquela morte.


Um sentimento que consome, ou que se some
Um risco que rasga profundo
Como de uma tristeza, a pior tragédia (o fim do mundo)

Algo que a levou
Bem longe, mas bem longe,
Distante daqui
Por algum motivo
Que ainda não sei
Mas tiraram-te de mim

Quero viver
Apalpar tudo que você deixou
Tem algo a pairar
Que eu ainda não entendo...
Mas sei que deixou bons legados e muitas saudades
Pra sempre estaremos num só destino.

Em casa
Ao olhar pros lados procurando você
Encontro sinais de um vazio,
Em tudo vejo você,
Seus gestos, nosso jeito,
Nossa vida.
Apertos sinceros da minha certeza

O que fazer quando precisar de ti
Chorar, chorar, chorar, sei lá
Sei que não resolve nada, porém alivia a dor
Mas nada também é vazio
Que sinto sem você.
A razão pela qual estou aqui, partiu!
Me deixou muito dorida, mas não teve escolha
Estará pra sempre comigo... até um dia Mãe!!!

João Herbert

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Cordel

(...) A beleza e o amor
têm poder absoluto,
na terra todo mortal
cada qual rende o seu
culto
pagando a estes dois
Deuses,
um verdadeiro tributo

Mas às vezes a beleza
sem sua soberania,
perde ante a inteligência
a sua supremacia:
fica o amor vacilando
nesta tremenda porfia (...)

____________________
Amor de uma estudante ou
O poder da inteligência
.


João Martins de Ataíde

Cordel - Literatura Popular em Verso - http://www.casaruibarbosa.gov.br